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Por favor, queira deixar a sala!

Aldo Colombo

O crucificado deve deixar os tribunais. E com ele convidamos outros valores a deixar a sala

 

O homem, as comunidades, os povos, hoje, são totalmente felizes. Não existe fome, as guerras foram abolidas, o ódio foi extirpado dos corações. O mundo é feliz. Existe amor, ternura, partilha, justiça, as famílias vivem em harmonia, a natureza está sendo preservada, a droga foi abandonada. Não temos mais problemas. A humanidade alcançou o definitivo estágio da felicidade.
A vida é uma festa, o Jardim Terreal voltou.
Diante disso, Deus foi convidado a se retirar.
A humanidade sabe como ser feliz. É neste contexto que podemos entender a decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que acatou /m pedido da Liga Brasileira das Lésbicas. A partir de agora devem ser retirados todos os crucifixos e outros símbolos religiosos das repartições públicas. Justificativa: o Estado é laico.
Ainda está na memória de todos a data de 11 de setembro de 2001, quando as famosas torres gêmeas – World Trade Center – ruíram ao impacto de aviões de Bin Laden. O ataque terrorista deixou mais de 2.300 mortos. Onde estava Deus que permitiu isso? Dias depois,
num programa de TV, o tema foi este: por que Deus não impediu isso?
Centenas de pessoas se pronunciaram, mas a solução magistral parece ter sido dada por Anne Graham, filha do famoso pregador evangélico Billy Graham. Anne afirmou: “Deus ficou triste como nós, mas respeitou nosso querer: não queremos que Ele interfira em nossas decisões. Pedimos que Deus saísse de nossa vida. Ele é cavalheiro e obedeceu”.
Nos Estados Unidos, na Itália, agora no Rio Grande do Sul, convidamos Deus a deixar a sala. É impróprio rezar nas salas de aula, não se pode corrigir uma criança, ela se sentiria oprimida. Mais: vamos distribuir camisinhas às jovens, vamos permitir e subsidiar o aborto. Em outras palavras: os Mandamentos se constituem em intromissão em nossas vidas. Nós sabemos ser felizes sozinhos. Nós sabemos ser felizes de nosso jeito.
A grande ironia: o crucificado deve deixar os tribunais. Ele que morreu, que foi justiçado num tribunal, acusado de falsidade e de blasfêmia. E com ele convidamos outros valores a deixar a sala. Não precisamos mais de religiosos e religiosas nos serviços sociais, não precisamos mais da ação social da Igreja, não mais precisamos de leigos colocando o fermento do Evangelho nas realidades temporais, não precisamos mais da ética individual e social. Qual o ganho real da retirada dos crucifixos?
Mas esta não é uma tragédia, nem uma derrota do cristianismo. Há um santuário de onde Ele não poderá ser expulso, sem nossa autorização. É o santuário do coração. Há uma lei que jamais poderá ser desativada. É a lei do amor. Enquanto deixa as repartições públicas, em algumas Ele não estava à vontade, declara: “No mundo tereis provações, mas tenham confiança, Eu venci o mundo” (Jo 16,32)

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